Falar bem deixa de ser charme e vira competência central de qualquer executivo que queira liderar com impacto. Se antes bastava dominar números, hoje é preciso dominar públicos: interno, board, imprensa, acionistas e todos com expectativas diferentes, agendas próprias e foco para senso crítico.
O desafio é claro: muitos executivos ainda encaram comunicação como acessório. Acordos comerciais, metas de crescimento e reorganizações estratégicas podem até ser brilhantes, mas sem uma narrativa forte e coerente, o retorno de compreensão de mensagens-chave é pífio.
Segundo relatório “Internal Communication Statistics – Data Reports 2026”, publicado em junho de 2025 pela WifiTalents, 86% dos colaboradores e executivos apontam falhas de comunicação interna como principal causa de problemas organizacionais, enquanto 63% afirmam que perdem informações importantes devido à falta de coerência nos diálogos corporativos. O levantamento consolida dados de diferentes pesquisas globais sobre comunicação no ambiente de trabalho e evidencia como ruídos internos impactam diretamente no engajamento, cultura e desempenho financeiro, um verdadeiro desastre dentro das organizações.
A comunicação interna é apenas a ponta do iceberg. Executivos também precisam falar com conselhos de administração e boards com precisão cirúrgica e, com imprensa e investidores, como se estivessem em um ringue de boxe, onde cada palavra pode virar manchete. A função de relações com investidores, por exemplo, é integrar comunicação com finanças e marketing para garantir que os acionistas compreendam a estratégia e valorizem a empresa.
E antes que você pense que bastam boas intenções, a prática mostra o contrário. Em diversas empresas, engajar líderes como comunicadores ativos é citado como o maior desafio das estratégias de comunicação, com mais de 70% das organizações lutando para tornar seus executivos protagonistas desse processo.
O primeiro obstáculo real? Escuta ativa. Não basta falar bonito; é preciso ouvir melhor. Liderança eficaz depende mais de captar o que está sendo dito, e o que não está também. Talvez seja por isso que tantos executivos dizem que reuniões custam tempo e que nada muda.
Reunir todos esses públicos exige jogo de cintura, repertório e consciência de estilo. Um estudo abrangente publicado recentemente no periódico ScienceDirect, intitulado “Leader Communication: A 50-Year Review”, analisou cinco décadas de pesquisas sobre comunicação de liderança e concluiu que não é apenas o conteúdo da mensagem que determina a eficácia do executivo, mas o estilo adotado ao comunicar. A revisão demonstra que a forma como líderes estruturam narrativas, expressam clareza, demonstram empatia e ajustam o tom influencia diretamente o engajamento das equipes, a consolidação da cultura organizacional e a execução da missão estratégica da empresa.
O executivo moderno caminha num fio de aço: um tweet mal colocado, uma fala truncada para o board ou um comunicado interno mal alinhado podem gerar ruídos que custam reputação e até valor de mercado. Ainda assim, a boa notícia é que essa competência pode ser treinada.
Inteligência comunicacional, entendida como a combinação de empatia, precisão e estratégia, já é tratada como competência tão essencial quanto a capacidade de analisar um balanço financeiro. Segundo um relatório de estatísticas de comunicação interna publicado em 2025 pela plataforma Internal Communication Statistics: Data Reports 2026, empresas que mantêm práticas eficazes de comunicação internamente têm até 3,5 vezes mais probabilidade de superar seus concorrentes em desempenho financeiro.
Esse levantamento consolida dados de pesquisas de mercado sobre comunicação organizacional e reforça que transparência estratégica, alinhamento de mensagens e engajamento das lideranças são variáveis diretamente associadas à performance e geração de valor no longo prazo.
Costumo alertar aos executivos que aqueles que conseguem alinhar linguagem, propósito e influência com seus múltiplos stakeholders impulsionam a performance de suas organizações. Vou além: eles constroem legitimidade.
*Monica Anjos é estrategista de comunicação e especialista no desenvolvimento de lideranças para ambientes de alta exposição e tomada de decisão. Atua na preparação de executivos, conselhos e porta-vozes, integrando narrativa, posicionamento e visão institucional. É cofundadora da Avenida, onde lidera projetos voltados à comunicação estratégica, presença executiva e fortalecimento de reputação.